Razão e incognoscibilidade de Deus permanecem distintas e são uma só na fé ... (Giuseppe M. Zanghì)

Sábado, Abril 16, 2011

Acreditar em Deus ou na Fada dos Dentes ...

Um dos argumentos dos "novos ateus" é que acreditar em Deus é o mesmo que acreditar na Fada dos Dentes. Será?

Alister McGrath, um dos mais assertivos críticos da abordagem "Dawkinsiana" de Deus, afirmou (segundo ouvi John Polkinghorne contar no ínício de uma conferência) que não há muita gente (para não dizer, ninguém ...) que na fase adulta da sua vida passe a acreditar na Fada dos Dentes (ver um texto dele aqui), enquanto que a conversão à existência de Deus não é assim, por exemplo, Antony Flew. Ou seja, não se pode comparar Deus à Fada dos Dentes.

7 comentários:

  1. Caro Miguel,

    Não há muitas pessoas a acreditar na fada dos dentes porque há alguém que diz que foi ele próprio que retirou o dente e colocou dinheiro...

    A figura de Deus é mais abragente, mais difusa, mais mutante do que as imagens definidas como a Fada dos Dentes. Como tal impossível de provar a existência do "fantasma".

    Imagine que tem um fantasma debaixo da sua cama. Mas o fantasma só faz asneiras quando o Miguel está a dormir... Prove a inexistência do fantasma...

    cumprimentos,

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  2. Não se pode comparar Deus à Fada dos Dentes?
    Não se pode? Só a quem não interessa comparar é que pode ter a tentação de impedir a possibilidade de comparação...

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  3. Caro Anónimo,

    McGrath afirma na sua aula (recomendo a sua leitura) que

    «Why should we believe things that can't be scientifically proved? Faith in God, Dawkins argues, is just like believing in Santa Claus and the Tooth Fairy. When you grow up, you grow out of it.

    This is a schoolboy argument that has accidentally found its way into a grown-up discussion. It is as amateurish as it is unconvincing. There is no serious empirical evidence that people regard God, Santa Clause and the Tooth Fairy as being in the same category. I stopped believing in Santa Claus and the Tooth Fairy when I was about six years old. After being an atheist for some years, I discovered God when I was eighteen, and have never regarded this as some kind of infantile regression. As I noticed while researching The Twilight of Atheism, a large number of people come to believe in God in later life - when they are `grown up'. I have yet to meet anyone who came to believe in Santa Claus or the Tooth Fairy late in life.

    If Dawkins' rather simplistic argument has any plausibility, it requires a real analogy between God and Santa Claus to exist - which it clearly does not. Everyone knows that people do not regard belief in God as belonging to the same category as these childish beliefs. Dawkins, of course, argues that they both represent belief in non-existent entities. But this represents a very elementary confusion over which is the conclusion and which the presupposition of an argument.»


    Por outro lado, que experiência faço da inexistência de um fantasma? Um fantasma é um ser entre outros seres, uma causa entre outras causas. Logo, se é ser entre outros seres, se existe, "como" existe? Também é causa entre outras causas, logo, se existe deve manifestar-se "como" fantasmagórico, caso contrário, deverei concluir a sua inexistência.

    Ora, Deus não é um ser entre outros seres na visão Cristã do mundo, nem causa entre outras causas, mas o fundamento da existência enquanto tal. Assim, não se pode comparar Deus a Fadas, sendo essa comparação, inclusivé, infantil.

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  4. Caro Miguel,
    Concordo que a crença em Deus é infantil... porque acredita apenas porque quer acreditar e recusa observação independente. Tal como uma criança acredita no Pai Natal, na fada dos dentes ou em qualquer outra estorinha que contem...
    Como a estorinha da morte de Cristo na Páscoa... Não acha estranho lembrar a morte de alguém num dia móvel? Não acha estranho tentar fazer esquecer a festa Judaica de NISSAN?
    É realmente infantil não querer observar a realidade. Para não dizer próprio de um leigo.

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  5. Caro Anónimo,

    eu não afirmei que a crença em Deus era infantil, mas sim "comparar Deus a Fadas". Assim como acreditar em Deus, não é o mesmo que acreditar numa fantasia. A diferença apontada por McGrath é suficientemente esclarecedora.

    Na Páscoa celebra-se a "morte e ressurreição" e não somente a morte. Por outro lado, não sei se é infantil reduzir a realidade ao que se pode observar, contudo, quando Jesus afirma que se não formos como crianças, não chegaremos ao "Reino dos Céus" estará a apelar à infantilidade?

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  6. A diferença apontada por McGrath é artificial e tem apenas como objectivo evitar olhar para a realidade...
    Não acha estranho lembrar a morte de alguém numa data móvel? Que respeito pela morte dessa pessoa é esse?

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  7. Caro Anónimo,

    não vejo como a diferença apontada por McGrath seja artificial, ou o que quer dizer com isso. Relativamente à Páscoa, os Cristãos fazem memória de um Deus Vivo porque ressuscitado e não de um Deus morto. A data em si é irrelevante perante o acontecimento da morte e ressurreição. O respeito pela morte está precisamente no relacionamento com Esse que vive e está presente entre nós.

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